sábado, novembro 18, 2017

Não é de Lionel Richie

Não é só na literatura que podem acontecer confusões de autoria. E mesmo antes da era da Internet. Hoje tive uma descoberta que me pareceu mais como uma revelação. Uma música que pensei a vida inteira que fosse de Lionel Richie... não é de Lionel Richie! Sempre que eu escutava "You and I" (existem trocentas músicas com esse nome, mas refiro-me especificamente à que indicarei a seguir), me vinha à mente a capa do primeiro LP de Lionel, de fundo amarelo. Nunca comprei aquele disco, mas às vezes pensava: quem sabe antes tarde do que nunca? Afinal, ele contém aquele dueto que eu acho lindo. 

Pois hoje o assunto Lionel Richie surgiu no Facebook. Fui correndo procurar a balada romântica de que eu tanto gostava. Pelo nome de Lionel, não apareceu nada. Experimentei um trecho da letra: "Just you and I sharing..." Aí, para minha surpresa, vieram os nomes de Eddie Rabbitt e Crystal Gayle. Que havia uma mulher cantando junto eu sabia, óbvio. Mas sempre associei a voz masculina à do ex-vocalista dos Commodores. Pois hoje descubro que não só é um cantor branco, como seu gênero é country music. Agora que estou esclarecido, percebo que a voz dele não é exatamente igual à de Lionel. Mas tem algumas nuances parecidas. E "You and I" se assemelha a "Endless Love", o clássico dueto de Lionel com Diana Ross. Foi lançada em 1982, mas lembro de tê-la ouvido com certeza em 1983. Como era bom ter 22 anos.

Ouçam a gravação original aqui.

quinta-feira, novembro 16, 2017

"Porto Alegre de Todos os Tempos" na Feira do Livro

O livro "Porto Alegre de Todos os Tempos", de Paulo Palombo Pruss, já pode ser encontrado na Feira do Livro. Está na na banca da AGEI - Associação Gaúcha dos Escritores Independentes, em frente ao MARGS. A Feira vai somente até domingo. (Foto copiada do Facebook.)

quarta-feira, novembro 15, 2017

A terceira caixa de David Bowie

No final de 2015 - portanto, antes do falecimento de David Bowie - teve início uma série de relançamentos da obra do músico inglês pela Parlophone. Em vinil e CD, os álbuns de Bowie foram reeditados em caixas por período, depois disponibilizados de forma avulsa (mas sem o livro e os álbuns especiais do pacote completo). O primeiro box chamou-se Five Years, cobrindo de 1969 a 1973 (minha fase preferida, com ênfase em glam rock). O segundo intitulou-se Who Can I Be Now, abrangendo de 1974 (o último suspiro do Bowie roqueiro com Diamond Dogs) a 1976 (seguindo-se uma surpreendente guinada de estilo para a soul music).

Pois agora é a vez do terceiro volume, de nome A New Career in a New Town, que vai de 1977 a 1982. Como nos outros dois, o título de uma música de Bowie foi escolhido para batizar o conjunto de álbuns relançados. O cantor passou a maior parte do período em Berlin, por isso "uma nova carreira em uma nova cidade". Isso já deixa os fãs curiosos, fazendo especulações de como se chamará a próxima caixa. Muitos apostam em "Dancing With the Big Boys", outros em "Loving the Alien" ou talvez "Shinin' Star".
Esta é talvez a fase mais experimental e complexa da obra de Bowie. Ela começa com o genial Low (1977), que mais uma vez tomou os fãs de surpresa com um estilo totalmente novo e inesperado. Com a colaboração de Brian Eno e produção de Tony Visconti, o álbum tem várias faixas instrumentais ou com pouquíssimos vocais. As quatro do lado B do vinil original são longas e "ambientais". O estímulo para Bowie criar esse tipo de música deve ter vindo de sua suposição (errônea) de que ele seria o responsável pela trilha sonora de "O Homem Que Caiu na Terra", estrelado por ele. "Subterraneans" foi composta para o filme, mas dizem que ele fez mais temas igualmente não aproveitados. Essa coleção de faixas confusas e pouco comerciais apavorou os executivos da RCA. Mas deu tudo certo no final. O público entendeu, a crítica adorou e "Sound and Vision" foi a escolha perfeita como single, por ser dançante, com letra e na duração certa para tocar no rádio.
"Heroes" (as aspas fazem parte do título), também de 1977, segue uma fórmula semelhante a de seu antecessor, com várias faixas instrumentais ou quase ocupando boa parte do lado B. A faixa-título tornou-se um dos cartões de visita de Bowie, aquela composição que ele sempre cantava mesmo quando fazia uma participação rápida em shows coletivos. No CD da caixa, a música contém uma mudança abrupta de equalização na metade que está gerando reclamações dos compradores, pela "queda de volume". A gravadora já tentou se justificar, dizendo que está assim na fita matriz e eles apenas tentaram atenuar a falha. Quanto ao álbum, há quem o considere um dos melhores de David Bowie. Eu nunca consegui captá-lo. Mesmo a faixa-título, prefiro na versão ao vivo de Stage, que será comentado adiante. Gosto da sonoridade disco music de "The Secret Life of Arabia" (que é a única que o próprio Bowie não curtia, dizendo que foi incluída às pressas para completar o LP) e do clima de filme de terror de "Sense of Doubt".
Uma curiosidade: a faixa-título teve versões em alemão e francês, em edições longas e curtas, e esta é a primeira vez em que todas (em especial, a gravação em francês) estão saindo em CD.
Como já era de se esperar, pelo que tinha sido feito com David Live na segunda caixa, o álbum duplo ao vivo Stage foi incluído em duas versões: a original da RCA de 1978 e a remixagem de 2005, com as músicas na ordem em que foram apresentadas no show. A segunda era a configuração ideal desse excelente registro da turnê de Bowie na época. Desde seu lançamento original, Stage já teve o acréscimo de cinco músicas em relançamentos posteriores: "Alabama Song" (versão da Rykodisc de 1991), "Be My Wife", "Stay" (ambas da edição de 2005) e agora, nesta caixa, "The Jean Genie" e "Suffragette City". As faixas originais do álbum Ziggy Stardust (1972) foram descaracterizadas pelos arranjos com muito teclado e pouca guitarra, mas as demais estão primorosas. Aqui está a versão definitiva de "Heroes" e releituras interessantes de 'What in the World", "Breaking Glass" e a instrumental "Speed of Life", num andamento acelerado, com mais swing.
Quando se soube que o pacote conteria uma versão do álbum Lodger, de 1979, remixada por Tony Visconti (além da mixagem original), a primeira impressão foi de que era algo arbitrário e sem necessidade, apenas para criar uma novidade. Pois, em um dos textos do livreto, Tony explica que, na época, tiveram que usar o Estúdio D de Record Plant para mixar o álbum e o equipamento em questão não era o melhor para a tarefa. Ele e Bowie não ficaram satisfeitos com o resultado e sempre sonhavam em fazer uma nova e definitiva mixagem do álbum. Pois agora ela está aqui. E Bowie acompanhou e aprovou o começo do processo, escutando os primeiros resultados. Quanto ao disco em si, é considerado o último da chamada "trilogia de Berlim", formada por Low, "Heroes" e Lodger. Nem tudo foi gravado na Alemanha, mas é uma referência ao período em que Bowie morou lá e a influência que o país teve em seu trabalho. Em Lodger, descartam-se os temas instrumentais e Bowie começa, aos poucos, a flertar novamente com o rock. Mas a volta do roqueiro só aconteceria de forma plena no álbum seguinte.
Scary Monsters (and Super Creeps), de 1980, foi um disco tão marcante que, a partir daí, sempre que a crítica quisesse elogiar um novo álbum de Bowie, apelava para o clichê: "seu melhor trabalho desde Scary Monsters". Para quem era fã dos velhos tempos de Ziggy Stardust e Aladdin Sane, foi gratificante ouvir novamente David Bowie mandando ver o bom e verdadeiro rock and roll, agora em sintonia com a chamada new wave. "Ashes to Ashes" rodou bastante nas rádios brasileiras. Em "Scream Like a Baby", ouvem-se acordes pesados como havia tempos não apareciam numa gravação de Bowie (depois ficou-se sabendo que a composição era original de 1973, o que explica a sensação de volta à antiga forma). "Scary Monsters" e "Because You're Young" também são rocks incendiários. Ao adentrar a nova década reafirmando sua posição de roqueiro-mor de sua geração (inclusive resgatando a imagem glitter no visual da capa), Bowie deixou a todos curiosos sobre o que viria nos anos seguintes. Ninguém poderia imaginar a nova guinada de estilo em 1983, que revitalizaria como nunca sua popularidade. Mas isso é assunto para a próxima caixa.
Scary Monsters foi o último álbum de Bowie para a RCA, mas não o último disco. Em 1982 ele lançou a trilha sonora da peça Baal, de Bertold Brecht, que ele estrelou numa encenação para a BBC. Com apenas cinco faixas, o disco foi considerado um EP (Extended Player), confeccionado em edições de 10 e 12 polegadas. Nunca teve um relançamento só dele em CD, mas agora aparece na íntegra na coletânea de raridades da caixa, Re:Call 3 (as faixas "Baal's Hymn" e "The Drowned Girl" já tinham saído no box de quatro CDs Sound+Vision). Bowie canta as músicas com sua voz crua, sem qualquer impostação. Outras faixas raras da caixa incluem versões mais curtas de single (ou mais longa, no caso de "Breaking Glass"), o tema instrumental "Crystal Japan", "Under Pressure" com o Queen e o dueto de Natal com Bing Crosby, "Peace on Earth/Little Drummer Boy". Como nos dois volumes anteriores, ficaram de fora faixas-bônus dos relançamentos da Rykodisc, como "Some Are", "Abdulmajid", "I Pray Olé" e a regravação de 1988 de "Look Back in Anger". Ganha-se de um lado, perde-se de outro.
 
O livreto de capa dura que acompanha o lançamento contém fotos promocionais diversas, reproduções miniaturizadas das capas (inclusive dos singles), críticas e matérias publicadas nas épocas respectivas e textos atuais do produtor Tony Visconti explicando como foram gravados os álbuns de estúdio. Uma curiosidade que é ignorada - por razões contratuais, talvez? - é que várias dessas músicas foram utilizadas no filme "Christiane F.", onde inclusive Bowie faz uma ponta numa cena de show. Desde que ouvi Low e depois "Heroes", sempre achei que as gravações instrumentais daqueles LPs seriam perfeitas para uma trilha sonora. Pois isso foi confirmado na prática.

Leia também:

David Bowie da fase glam rock
A caixa dois de David Bowie

terça-feira, novembro 14, 2017

Pedido ao Inter

Eu gostaria de fazer um pedido aos jogadores do Internacional. Agora que vocês já garantiram o retorno à série A, não sejam campeões da série B, por favor! Isso não é título, é mancha que fica para sempre. É aquela nódoa no histórico do clube que as futuras gerações irão ver. Voltem à primeira divisão de mansinho, disfarçando, assobiando, como quem só tinha ido tomar um ar lá fora e retornou discretamente. Não, não quero esse título! Mesmo sabendo que é o único que o Grêmio tem e nós não! Pois que continue sendo o único.

sábado, novembro 11, 2017

Reforma trabalhista

Nem todos os que foram às ruas de verde e amarelo para derrubar uma Presidente legitimamente eleita estavam iludidos, achando que tudo ficaria lindo e maravilhoso depois que ela saísse. Alguns sabiam exatamente o que queriam. A reforma trabalhista que entra em vigor hoje é o resultado disso. Os que se uniram ao movimento pensando em "acabar com a corrupção" e "lutar por um Brasil melhor", estes, sim, serviram de massa de manobra. E muitos serão prejudicados pelas mudanças que ajudaram a ocasionar.

quinta-feira, novembro 09, 2017

Lançamento de "Porto Alegre de Todos os Tempos"

É hoje o lançamento do livro "Porto Alegre de Todos os Tempos", de Paulo Palombo Pruss. Vejam as informações na imagem acima.

quarta-feira, novembro 08, 2017

Luiz Coronel por Fafá de Belém

A grande pedida da Feira do Livro de Porto Alegre neste ano é o CD Book "Cantos de Leontina das Dores", creditado a "Luiz Coronel e Parcerias". Além de várias letras do poeta gaúcho e ilustrações diversas de seus personagens por artistas consagrados, o volume de capa dura com 180 páginas inclui um CD exclusivo em que a cantora paraense Fafá de Belém interpreta canções com o personagem Leontina das Dores. A criação mais memorável de Coronel é Gaudêncio Sete Luas, mas Leontina também foi marcante. 

A ligação de Fafá com o cancioneiro gaúcho não é nova. Já em começo de carreira, nos anos 70, ela havia gravado "Gaudêncio Sete Luas" e "Cordas de Espinhos", da dupla Marco Aurélio Vasconcellos e Luiz Coronel, além de "Vento Negro" de Fogaça e "Haragana" de Quico Castro Neves. "Cordas de Espinhos" ficou na lembrança, entre outras coisas, graças a um comercial de TV ("geada vestiu de noiva / os galhos da pitangueira"), e as outras três eram do repertório dos Almôndegas. No CD do livro, ela canta "Leontina das Dores", "Canto ao Filho que Vai Nascer",  "À Espera de Seu Homem" (melodias de Marco Aurélio Vasconcellos), "Flor de Laranjeira" (Isabela Fogaça), "Canto das Bodas de Leontina das Dores", "Rezas ao Pé do Berço" (ambas de Marlene Pastro), "Canto do Primeiro Amor de Leontina das Dores" (Airton Pimentel), "Fala de Flores" (Raul Ellwanger, aqui com participação especial do gaiteiro Renato Borghetti), "Canto das Despedidas de Leontina das Flores" e "As Mulheres da Minha Terra" (ambas de Sérgio Rojas). O acompanhamento é da Orquestra Unisinos Anchieta, com regência de Evandro Matté e arranjos de Alexandre Ostrovski Jr. A última faixa é uma bonita suíte instrumental com trechos de todas as músicas. 

O livro está à venda na barraca da Isasul Livraria e o preço na Feira - excelente, considerando o CD e a qualidade de impressão - é 40 reais.

Vazamento em papelaria

Esta era a situação em uma papelaria do centro de Porto Alegre hoje às 13 e 30. O vazamento de um cano estava alagando todo o fundo da loja. No momento em que saí de lá, um funcionário se preparava para fechar o estabelecimento, já que a água começava a se alastrar.