terça-feira, março 28, 2006

Secos & Molhados e Kiss: fim de polêmica

ATENÇÃO: Esta é uma versão inteiramente nova do texto originalmente publicado. Foi postada em 02/02/2009. Desde então, o texto vem sofrendo pequenas correções, à medida que surgem novas informações. Em 13/05/2011, foram acrescentados dados obtidos do acervo da Folha de São Paulo. O texto anterior continua disponível nos sites que o citaram.

O Kiss copiou a maquiagem dos Secos e Molhados? Ney Matogrosso costuma contar sempre a mesma história quando é perguntado sobre o assunto. Eis o que ele falou, por exemplo, para o Jornal do Brasil:

...o Kiss é que copiou a gente! A banda já era um estrondo no Brasil e fomos ao México. O sucesso lá foi tanto que ficamos mais uma semana. A Billboard tinha publicado uma foto nossa de página inteira e dois empresários americanos quiserem me levar para os EUA. Recusei a oferta: ''Estou começando uma história no meu país e quero dar seqüência a isso''. Não queria acabar como Carmen Miranda. Inclusive disseram que minha imagem era boa, mas que o som tinha que ser mais pesado. Eu não ia mudar nosso som por causa disso. Viemos embora. Uns seis meses depois começou o Kiss, com uma maquiagem como a nossa e um som mais pesado.

Os fãs em geral interpretam esse testemunho de Ney como uma informação privilegiada de que o Kiss realmente copiou os Secos e Molhados. Ou seja, "é verdade porque o Ney falou". No entanto, basta ler com atenção (e isenção) para ver que os fatos que ele alega não provam nada. Ele apenas faz suposições. Sim, é verdade que o disco dos Secos saiu primeiro. Mas, conforme se verifica no acervo da Folha de São Paulo, o grupo brasileiro embarcou para o México na manhã de 24 de maio de 1974, uma sexta-feira (a notícia está no suplemento "Ilustrada" de sábado, dia 25). Pois bem: nessa ocasião, quando os Secos viriam a ser abordados por empresários americanos, o primeiro disco do Kiss já estava nas lojas, com maquiagem e tudo, desde fevereiro. A data pode ser conferida neste site e confirmada em outras fontes, como o livro "Black Diamond", de Dale Sherman, e a edição de 23 de fevereiro da revista Billboard. (O site oficial dos Secos e Molhados erradamente aponta a data da viagem como
março de 1974, mas de qualquer forma teria sido um mês depois do lançamento do disco do Kiss.)

Mas tem mais. O terceiro volume da série de DVDs "Kissology" traz um DVD bônus com um show do Kiss em dezembro de 1973, no Coventry. A qualidade de imagem deixa a desejar, mas vale pela raridade. Hoje se encontra a apresentação completa no YouTube. Ali se vê que a banda já estava devidamente maquiada. Aí está:

O livro "Nothin' to Lose - A formação do Kiss - 1972-1975", de Ken Sharp, lançado no Brasil pela Benvirá, conta em detalhes não só como e por que essa gravação foi feita, mas também esmiúça os primórdios do grupo em 1973. 

Com isso, cai por terra a tese da "maquiagem copiada por empresários no México". Os dois empresários americanos que procuraram os Secos e Molhados naquele país não tinham nada a ver com o Kiss. Até porque, como se sabe, o Kiss tinha somente um empresário no começo da carreira: Bill Aucoin.

Certo. Mas e antes? Os Secos e Molhados lançaram seu primeiro LP em agosto de 1973. Já o álbum de estreia do Kiss saiu em fevereiro de 1974. Nesse ínterim, não haveria tempo de o Kiss tomar conhecimento dos Secos e Molhados e copiar o visual do grupo brasileiro? Em princípio, sim. Mas para saber com certeza, é preciso verificar quando cada grupo começou a se maquiar.

A Rolling Stone brasileira publicou uma entrevista com Gene Simmons dizendo que o Kiss usa maquiagem desde 1972. Na verdade, a maquiagem tradicional do Kiss surgiu um pouco depois. O que aconteceu em 1972, mais precisamente em novembro, foi que a banda Wicked Lester, então formada por Gene Simmons, Paul Stanley e Peter Criss (Ace Frehley ainda não havia entrado), fez uma apresentação de teste para Don Ellis, Diretor de A&R (artistas e repertório) da Epic Records. Os três usaram uma maquiagem toda branca e é uma foto dessa ocasião que costuma aparecer em livros e sites:Mais detalhes sobre esse fato podem ser conferidos no livro "Sealed With a Kiss", de Lydia Criss, primeira esposa de Peter. A propósito, a banda não passou no teste.

As máscaras que viriam a se tornar a marca registrada do Kiss começaram a surgir no dia 9 de março de 1973, em um lugar chamado The Daisy, em Amityville, no estado de Nova York. A data pode ser verificada no livro citado e também em "Kiss Alive Forever – The Complete Touring History", de Curt Goof e Jeff Suhs. As fotos abaixo são do dia 10 de março, e mostram uma versão embrionária das maquiagens. Os desenhos iriam evoluir, especialmente o de Paul Stanley, que chegou a experimentar variações. A estrela no olho surgiria depois. Mas as máscaras de Gene, Ace e Peter já estavam delineadas.

E os Secos e Molhados? Existem muitas versões sobre a origem da maquiagem do grupo. Ney Matogrosso certa vez disse que quis se maquiar para não ser reconhecido quando ficasse famoso. Conta-se também que, antes de um show, Ney decidiu passar um pouco de purpurina e acabou se pintando todo. Outro testemunho diz que o cantor encenava uma peça com Regina Duarte e, na hora do show dos Secos, não teve tempo de tirar a pintura. É possível que tudo isso seja verdade e Ney tenha usado maquiagem de forma esporádica nas primeiras apresentações com o grupo. Mas o visual dos Secos e Molhados que viria a estourar em todo o Brasil surgiu na sessão de fotos para a capa do primeiro LP, conforme depoimento do fotógrafo Antônio Carlos Rodrigues para a Folha de São Paulo em 2001:

"Numa viagem para o Rio, vi na praia meninas com uns corações grandes de purpurina no rosto, pensei em fazer um ensaio inspirado naquilo. Chamei o maquiador Silvinho, e começamos a criar". (As fotos foram publicadas em 1973 na revista Fotoptica.)

"O pai de João Ricardo trabalhava comigo no Última Hora e pediu que eu desse uma ajuda aos meninos. Vi um show deles, que ainda faziam sem máscaras. Falaram que a gravadora não acreditava neles, que tinham uma quantia insólita para me pagar. Mostrei as fotos da Fotoptica. Acharam arrojado demais, mas entenderam que era uma grande ideia."

"Um dos quatro, o baterista Marcelo [Frias], não gostou da ideia de se maquiar, tanto que saiu do grupo logo depois. Ney no máximo usava batom antes disso."

Para corroborar o testemunho do fotógrafo, existe a foto abaixo, em que os Secos e Molhados aparecem no Museu de Arte de São Paulo, publicada na revista Pop de maio de 1973:
Consultando-se o acervo da Folha de São Paulo, acha-se a data exata em que ocorreu este show: 15 de abril de 1973, um domingo, às 16 e 30 (o anúncio vinha sendo publicado nos dias anteriores). Podem clicar para ampliar a foto, mesmo assim vejam estes detalhes:

Ney Matogrosso pintou somente as sobrancelhas. Gérson Conrad aparece de cara limpa no fundo, à direita.

Aqui está João Ricardo, também de cara limpa.

E se o baterista Marcelo Frias saiu do grupo por não concordar com a maquiagem, por que posou para a capa do primeiro LP? Porque imaginou que a pintura seria somente para aquelas fotos. O que confirma que, antes, não se maquiavam.

Verifiquemos no site dos Secos e Molhados. A cronologia informa junho de 1973 como a data da sessão de fotos. Logo, mesmo que alguém quisesse acreditar na improvável hipótese de o Kiss ter tomado conhecimento dos Secos e Molhados antes de o grupo brasileiro lançar o primeiro LP, vemos que a banda americana começou a se maquiar um pouco antes, em março. Em suma: ninguém copiou ninguém.

Existe também o depoimento de Zé Rodrix, que diz que Gene Simmons e Paul Stanley teriam estado em sua casa em 1973 levados pelo bailarino Lennie Dale. Rodrix, que tocou no primeiro LP dos Secos, teria mostrado a capa do disco "em primeira mão" para ambos. Embora o músico brasileiro esteja convicto de que foram realmente os integrantes do Kiss que o visitaram, ele admite nunca ter confirmado a identidade dos americanos que acompanhavam Dale. E quem conhece a história do Kiss sabe que nenhum deles veio ao Brasil nesse período. O já citado livro "Nothin' to Lose" deixa isso bem claro. De resto, se Gene e Paul fossem mesmo amigos de Lennie Dale, seria mais fácil que tivessem se inspirado nos Dzi Croquettes, que o dançarino dirigia. Mas os músicos do Kiss nunca se interessaram por coreografia profissional, mímica, dança ou nada que pudesse ligá-los a Dale. Se fosse David Bowie, até poderíamos considerar a hipótese, pois essa era bem a praia dele, na época.

Outro detalhe, este realmente incrível, é que, como se vê em clips do YouTube, no tempo dos Secos e Molhados, Ney Matogrosso mostrava a língua ao final de "O Vira". Não vai muito longe: no livro "Secos e Molhados", publicado pela Editora Nórdica logo após o fim do grupo, em 1974, aparece a foto abaixo:Segundo os que defendem a tese do plágio, isso seria mais uma "prova incontestável" de que o Kiss copiou os Secos. Aqui, desculpem-me, mas não há outra explicação senão uma tremenda coincidência. Eu assisti aos Secos e Molhados várias vezes na TV e uma vez ao vivo, em dezembro de 1973, no Gigantinho, em Porto Alegre. Esse momento isolado em que Ney Matogrosso mostrava a língua nunca me chamou a atenção. Hoje, com os recursos que temos de vídeo e Internet, é possível esmiuçar cada quadro de imagem de clips exibidos há 35 anos e verificar essas curiosidades. Já Gene Simmons mostra a língua o tempo todo nos shows do Kiss, além de exibi-la ostensivamente em fotos promocionais e até em entrevistas:Ainda que os dois lados não entendam, meu objetivo não é "defender o Kiss" e sim checar informações. Mas é difícil tocar neste assunto sem que vire "briguinha de torcidas". Os fãs do Kiss afirmam que Ney está "mentindo" e "está com inveja" porque "o Kiss é a maior banda do mundo", enquanto os fãs dos Secos e Molhados me acusam de "defender americanos". Já houve quem me perguntasse onde estava "minha auto-estima de brasileiro", como se isso me obrigasse a aceitar mitos em nome do nacionalismo. Com tantas paixões em jogo, ninguém mais acredita em investigar os fatos apenas para saber a verdade e não para defender alguma bandeira. Ney Matogrosso não está "mentindo". Nem Zé Rodrix. Mas estão tirando conclusões erradas.

Infelizmente, os pouquíssimos livros existentes com informações sobre os Secos e Molhados apenas reciclam as "achologias" que se perpetuaram em relação a essa polêmica. Seria interessante que alguém fizesse uma pesquisa mais profunda, inclusive tentando localizar os empresários americanos que procuraram os Secos e Molhados no México. Gérson Conrad afirmou no Orkut que um deles se chamava David Ruffino.

Por fim, cumpre lembrar que houve casos de maquiagem no rock antes dessas duas bandas. Existe um clip de 1968 no YouTube em que Arthur Brown aparece cantando "Fire" com uma maquiagem branca e preta. Já em 1971 surgiu na Itália o grupo de rock progressivo Osanna, também com as caras totalmente pintadas. Muitos lembram Alice Cooper, mas ele apenas usava preto em torno dos olhos e da boca. A semelhança não era tão grande com Secos e Molhados ou Kiss. David Bowie usou uma maquiagem bem marcante na capa de "Aladdin Sane" e também no clip de "Life on Mars", ambos em 1973. Segundo o produtor Tony Visconti em sua autobiografia "Bowie, Bolan and the Brooklyn Boy", quando Bowie estava gravando "Lodger", lançado em 1979, recebeu a visita de Gene Simmons e Paul Stanley. Os dois teriam prestado uma homenagem ao músico inglês reconhecendo que, sem o seu pioneirismo com o visual da fase Ziggy Stardust, eles jamais teriam sido o Kiss. Isso teria acontecido no estúdio Hit Factory, em Nova York. Não confirmei que o Kiss tenha gravado nenhum disco nesse local, mas não significa que não pudesse estar lá ensaiando ou preparando demos.


Fim de polêmica. Arquive-se.

Leiam também:

Fãs torcedores
Secos e Molhados no Gigantinho
Kiss em Porto Alegre

Procurem também meu texto sobre o primeiro LP dos Secos e Molhados no livro "1973, o Ano que Reinventou a MPB", organizado por Célio Albuquerque.

74 Comments:

Anonymous ana de toledo said...

Emílio!
Uma bela checagem!
Parabéns!

4:08 PM  
Blogger Maximiliano Merege said...

PERFEITO, Emílio!!!!!

Pessoalmente, eu nunca engoli essa história também.

Abração.

2:24 PM  
Anonymous Gustavo said...

Realmente um belo trabalho de pesquisa, no entanto é lamentável ver como é totalmente parcial e tendencioso.

Um texto que quer provar que o Kiss é bom demais para ter copiado os Secos & Molhados, mas no qual os pontos que "interessam" são completamente detalhados e datados, enquanto outros pontos são obscurecidos e tratados como coincidências.

12:32 PM  
Blogger Emilio Pacheco said...

"Um texto que quer provar que o Kiss é bom demais para ter copiado os Secos & Molhados..."

"BOM DEMAIS"???? ONDE eu digo isso no texto? Aponte-me uma frase ou trecho que leve a essa interpretação? Você tenta colocar palavras na minha boca e depois EU é que sou "totalmente parcial e tendencioso"? Calma lá!

Infelizmente são poucas, poucas mesmo, as pessoas que se desarmam e leem esse texto pelo que ele é: uma pesquisa para esclarecer fatos. A maioria já chega aqui com bandeira numa mão e pedras na outra. Já deixei de publicar um comentário de um fã do Kiss porque também não entendeu nada e elogiou o texto num tom de agressão a Ney Matogrosso.

Os fatos estão aí, pesquisados e cristalinos. Mas com "fã torcedor" é praticamente impossível argumentar.

5:39 PM  
Blogger Grandes Filmes said...

Muito bom o texto.

Nada como checagens com datas e fatos!

1:45 PM  
Blogger Xiko do Couto said...

Fantástico trabalho jornalístico. Há muito não lia um texto desse gabarito em um blog. Parabés e obrigado.

2:31 PM  
Anonymous Anônimo said...

Voce só esqueceu da banda Made in Brazil.

3:17 PM  
Anonymous Anônimo said...

Essa pesquisa mudou muito a minha vida, agora posso dormir despreocupada o mundo está a salvo!!

12:06 AM  
Blogger Emilio Pacheco said...

Não é maravilhoso?

12:07 AM  
Blogger 1cellist said...

Parabéns Emílio!!
Texto claro,coerente e o principal: fundamentado. Ótima pesquisa!!!

Não há absolutamente nenhuma parcialidade ou tendência a falácia.

Simplesmente se basear nos FATOS!! Por que isso é tão raro na história da música?? Não sei como histórias simples e banais ganham dimensões rapsódicas!!

Enfim, novamente, parabéns!! Espero ler mais textos seus em breve.

3:30 AM  
Blogger Emilio Pacheco said...

Obrigado, 1cellist. Na verdade, depois do que verifiquei no acervo on-line da Folha de São Paulo, vejo que os "pontos obscurecidos" do meu texto (como disse o Gustavo aí em cima) são muito mais a favor dos Secos e Molhados do que contra. As três primeiras vezes em que a Folha citou o Kiss, entre 74 e 75, afirmou categoricamente que os Secos e Molhados copiaram a maquiagem deles. E, de fato, o Kiss começou a se maquiar primeiro, como mostram as datas. Mas eu nem me preocupei em explorar essa possibilidade. Bati o martelo dizendo que "ninguém copiou ninguém". Antes, quando se achava que os Secos é que tinham se maquiado primeiro, tinha gente afirmando que o Kiss poderia ter tomado conhecimento deles mesmo antes do primeiro LP lançado. Fui até chamado de "ingênuo" por descartar essa hipótese. Pois agora eu também descarto a hipótese inversa: não acredito que os Secos e Molhados pudessem ter tomado conhecimento da existência do Kiss antes da banda americana lançar seu primeiro LP.

Por outro lado, agora entendo por que Ney Matogrosso tem tanta raiva de quem diz que os Secos é que copiaram o Kiss. Eu não imaginava que essa hipótese tivesse sido cogitada desde o começo, quando o Kiss começou a aparecer na mídia. Pensei que só os fãs mais recentes, que não acompanharam o surgimento dos dois grupos, é que pensassem nessa possibilidade.

12:43 PM  
Blogger Apólogo 11 said...

Muito bom, Emilio! Jogou uma pá de cal no assunto, e não há mais o que contestar! Parabéns!

6:24 PM  
Blogger Emilio Pacheco said...

Ah, sim: pelo que verifiquei no site da Folha, a viagem dos Secos e Molhados ao México foi em MAIO, não em março, como consta no site oficial do grupo. O grupo embarcou no dia 24 de maio de 1974, uma sexta-feira. Talvez eu altere a informação mais tarde. Isso aumenta ainda mais a distância entre o lançamento do primeiro LP do Kiss e a abordagem dos empresários americanos. Mas eu não lembrava que o show do México tivesse sido tão próximo do fim do grupo. Menos de três meses depois eles se separaram.

11:23 PM  
Anonymous Anônimo said...

Finalmente um texto como deve ser: baseado em um belo trabalho de pesquisa, com data e FONTES!
Ano passado, não lembro a data, eu ouvi essa história do Ney no programa Estrelas da RedeBobo, ele falou a mesma coisa... pra mim, com todo respeito ao artista, é ranço! Não acredito que a maquiagem seja cópia ou "livre inspiração" no Secos. Enfim, parabéns pela pesquisa e não ligue para os corneteiros, seja de qual lado for, pois esses não são verdadeiros fãs, mas sim verdadeiros malas que só conhecem pesquisas do google e jamais pegaram um livro em mãos!
Abs, Tatiane.

9:17 PM  
Blogger Katsumoto's Karate do said...

Ser-Humano é uma merda.
Ney, alem de um artista fantastico, é ainda melhor como pessoa, e a opinião dele sobre o Kiss é apenas a opinião dele. Se é verdade ou não, não muda seu carater.
Parabens Emilio, pelo excelente rabalho Jornalistico na materia.

12:02 PM  
Anonymous Anônimo said...

Uns seis ou cinco anos à frente está Arthur Brown, tem videos de 68 em que mostra que está mais adiantado no tempo que o Kiss ou Secos e Molhados. Cada um tem seu som. Mas as maquiagens vieram antes com Arthur Brown. Vejam no youtube o video Fire... http://www.youtube.com/watch?v=NOErZuzZpS8

8:33 AM  
Blogger Emilio Pacheco said...

Anônimo, Arthur Brown é citado no texto, inclusive com link para o vídeo. Leia até o final, com calma.

8:34 AM  
Blogger Eduardo Chittolina said...

na verdade a CARMEM MIRANDA ERA PORTUGUESA E NÃO BRASILEIRA COMO DISSE O NEY

9:09 AM  
Blogger Eduardo Chittolina said...

EMILIO!confesso minha ignôrancia ao trabalho da tia.só conheço as baladinhas açucaradas i never cry e you and me.quando vi a chamada na tv com ele numa guilhotina e com as tradicionais cobras,tõ fora.acho que fica meio caricato para a idade dele.sou meio criterioso para ídolos e tu sabe os FAB são um exemplo desse critério.a propósito:os the beats vem aí e tem um bar temático em três coroas chamado Liverpool tu sabe?beatle abço

9:14 AM  
Blogger vandemberg said...

Pra mim o Kiss se inpirou no Arthur Brown.
porque o arthur Brown em 1968 já erconhecido como o "The God of Hellfire" por causa do clipe fire então o Kiss poderia ter visto em algum lugar e ter copiado,até porque o clipe do Arthur Brown é de 68 e ele é americano assim como o Kiss,então era mais fácil o Kiss ter visto o Arthur Brown do quer ter visto o Secos e Molhados.

11:07 PM  
Blogger jonathan mauger said...

ola tudo bem,puxa parabens pela excelente pesquisa!realmente houve muitas conhecidencias,na epoca das maquiagens,nao e do meu tempo,mais pois fim nas polemicas que ouço desde criança,sei que houve tambem um processo(gennie simmons)em relaçao ao um vocalista de black metal chamado king diamond por usar maquiagem,agora todos usam,ficou normal,e ate repetitivo,mais na epoca era maravilhoso,magico,e supreendente,super abraço-jonathan

6:26 PM  
Anonymous Fernando Menucci said...

Rapaz, parabéns! Seu texto é brilhante, bem como o trabalho de pesquisa. Valeu!

11:03 PM  
Anonymous Anônimo said...

Pode provar que Kiss não copiou o secos, mas a banda não deixa de ser uma porcaria do mundo fonografico americano.

9:58 PM  
Blogger Emilio Pacheco said...

E daí? Não é isso que está em discussão aqui.

10:00 PM  
Blogger Fabio Nogueira (@fnog) said...

Obrigado por manter seu post e seu blog por todo esse tempo! Certas referências somem quase que instantaneamente da internet por falta de hábil manutenção e convicção, mas o seu não. Melhor que isso, esmiuçou uma lenda urbana musical que há muito eu já havia ouvido falar e você esclareceu pontos bastante curiosos. Sensacional! Parabéns!

8:05 AM  
Anonymous Anônimo said...

Royal

Eu achava realmente que kiss tinha imitado secos e molhados,as duas bandas começaram em 1973,mais sempre tive certeza que ney imitou dzi croquettes(ney nunca deu credito a eles) que é de 1972,pra mim é novidade a banda osanna e Arthur Brown..parabens pelas informaçoes,nao vou ser tapado de defender uma banda sendo que tem outra fazendo isso a mais tempos,a wikipédia ta ai pra isso,sou tão fã de secos e molhados como eu sou de kiss,e arthur brown pintou a cara primeiro rsrs

9:34 AM  
Anonymous spin na rede said...

Apesar das estranhas coincidências, pode ser que se trate de coincidência mesmo, isso ocorre no campo da criação, a tal sincronicidade, e parecia ser uma tendência no campo da criação, Alice Cooper, David Bowe, Osanna, vinham usando maquiagem, portanto... coisa de quem quem estava antenado, inspirado. A banda brasileira não estava fora deste processo. Apesar de que pode sim, ter sido coincidência, tudo leva a crer que, em algum momento, o Kiss deu uma olhadinha, senão nos shows, ao menos nas fotos do S & M, claro que o Kiss jamais assumirá isso, dirão que se inspiraram em David Bowie, fazê o que

Dezembro de 1972 - Primeiro show dos Secos e Molhados com maquiagem
Março de 1973 - Primeiro show do Kiss com maquiagem.
Agosto de 1973 - Lançamento do primeiro LP dos Secos e Molhados.
Fevereiro de 1974 - Lançamento do primeiro LP do Kiss.
Março de 1974 - Ney Matogrosso é contactado por dois empresários americanos no México
Coincidências à parte, do ponto de vista da lei dos direitos autorais é autor quem publica primeiro. Quem tornou público estes show com maquiagem, repetidas nas capas de LP, no cenário dos shows, senão os S & M? Nos primeiros shows dos S & M, aquele do Maracãninho por exemplo, dá prá ver, no fundo do cenário, grandes rostos com maquiagem, bem como o gesto de Ney de colocar a lingua prá fora, um gestual adotado pela banda Kiss. Apesar destas evidências há quem não acredite que a banda Kiss tenha copiado o S & M porque na época em que eles começaram, 1973, não tinham grana para vir ao Brasil assistir a show do S & M. Até parece que naquela época não existia TV, rádio, jornal....A primeira apresentação do Kiss com maquiagem coorreu em 9 de março de 1973, isto segundo o livro "Kiss Alive Forever - The Complete Touring History", de Curt Gooch e Jeff Suh, que registrou este momento em que oKiss era totalmente desconhecido. Mesmo que isso seja verdade, o uso da maquiagem pelo Kiss continua sendo posterior ao S & M. Mesmo diante destes fatos há quem diga que não houve plágio porque naquela época os garotos do Kiss eram tão pobre que tinham grana para comprar passagem e assistir ao S & M. Até parque que naquela época não havia TV, rádio, jornal, e que o S & M fez sucesso não só no Brasil, sendo capa da revista norte-americana Billboard. É muita coincidência, veja só a capa do Kiss lançada após a dos S & M

7:07 AM  
Anonymous spin na rede said...

Royal, em suas entrevistas Ney Matogrosso reconhece que foi influenciado, em primeiro lugar, pelos programas de rádio,pelas cantoras do rádio, isto face a diversidade que este meio de comunicação oferecia, e depois, por Caetano Veloso e suas roupas excêntricas para a época, ele reconhece sim a importância do Dzi Croquettes. A contribuição de Ney à MPB está acima de todas estas picuinhas. Bobagem perder tempo com isso.

http://www.youtube.com/watch?v=7-AwImCZ_h8

Alguns momentos da carreira desta figura que, com sua arte, engrandece nosso País

http://www.youtube.com/watch?v=b-WFAGjRK5M&feature=related

7:34 AM  
Blogger Emilio Pacheco said...

Eu também postei dois vídeos de Ney Matogrosso no YouTube.

8:08 AM  
Blogger Emilio Pacheco said...

Spin na rede, essas datas que você copiou provavelmente do Whiplash são de uma versão antiga do meu texto que já "caducou", essas datas não estavam corretas. O primeiro show dos Secos e Molhados com a maquiagem tradicional foi em 1973.

É incrível a dificuldade que certas pessoas têm de separar as coisas. Eu também sou fã dos Secos e Molhados, mas fatos são fatos. E a importância dos Secos e Molhados não fica diminuída por isso.

8:13 AM  
Blogger Emilio Pacheco said...

"Até parece que naquela época não existia TV, rádio, jornal..."

E você acha mesmo que eles ficavam sabendo do que acontecia no Brasil? Não sabem nem hoje!

8:16 AM  
Blogger Emilio Pacheco said...

Ah, agora sei quem você é. Você é o mesmo José Carlos de Lima que há muitos anos me chamou de "gente de plantão idiota colonizada" no seu saudoso blog "Mensário de Júpiter". Depois veio aqui perguntar onde estava "minha autoestima de brasileiro", como se isso me obrigasse a aceitar teses furadas. E ainda convocou uma amiga sua para vir defendê-lo e me chamar de "ingênuo" por não aceitar o argumento totalmente estapafúrdio de que os americanos ficavam sabendo de tudo o que acontecia no Brasil. Se não se interessam nem hoje, que poderiam pesquisar via Internet... Infelizmente nossa longa e inútil discussão caiu fora no começo de 2010, quando o Haloscan (provedor de comentário) descontinuou seus serviços. Para manter os antigos comentários eu teria que pagar ao novo provedor e optei por não fazer isso. Mas tenho todos guardados em arquivos XML. Talvez um dia eu publique uma coletânea dos mais incríveis, pois apareciam verdadeiras pérolas de vez em quando.

12:16 PM  
Blogger Kauã said...

Mas concordemos: Secos & Molhados > KISS

3:34 PM  
Anonymous Anônimo said...

Obviamente isso não era verdade. É muito pretencioso o brasileiro achar que o mundo nos admira, paga pau pra gente. Nós somos lembrados la fora por Carnaval como sexy party, por corrupção, desigualdade social, desmatamento e outras coisas do genero. De toda forma, para quem não tem essa noção e acreditou nisso, seu texto foi ótimo, um tira teima! Parabens

7:22 PM  
Blogger Emilio Pacheco said...

Oi, Anônimo, obrigado por visitar meu Blog. Na verdade a possibilidade de os brasileiros servirem de modelo para estrangeiros de sucesso, por si só, não pode ser descartada. No caso, quem conhece a história DAS DUAS BANDAS sabe que essas suposições do Ney Matogrosso não procedem, em razão da cronologia demonstrada. Mas já houve casos de brasileiros plagiados, sim. Um deles é bem conhecido: Jorge Ben foi plagiado por Rod Stewart e "Taj Mahal" virou "Do Ya Think I'm Sexy". Mas tem outro caso que não é tão lembrado: o grande sucesso de Nelson Ned, "Tudo Passará", também foi vertido para o inglês sem crédito para o autor original. O título ficou "All of a Sudden" e a gravação de sucesso foi a de Matt Monro. Então os estrangeiros podem, sim, copiar os brasileiros. Mas no caso do Secos e Molhados e do Kiss, não aconteceu.

6:01 PM  
Blogger Juliano P. said...

Caro Emílio,

Parabéns pela pesquisa. Eu estava prestes a abordar esse assunto em meu blog

Mas resolvi abandonar a ideia diante de argumentação tão coerente e bem fundamentada.

Sucesso!

Juliano P.

12:49 PM  
Anonymous SPIN na Rede said...

Emilio, discordo totalmente das suas colocações. O Ney Matogrosso adotou um visual excêntrico desde 1972, no Ruth Escobar, sendo radicalizado a cada show, leia os artigos da época que chamavam a atenção para as pinturas que o Ney usava já em 1973, claro que chegou a um ponto em que Marcelo Frias, discordando da radicalização do visual, resolveu sair, nada a ver vc afirmar que o visual que marcou o grupo veio bem depois, nada a ver mesmo. Segue link
http://apologo11.blogspot.com/2008/07/ascenso-meterica-da-banda-secos.html

8:10 PM  
Blogger Emilio Pacheco said...

Spin na Rede, é difícil levar seus argumentos a sério, pois pelo que eu já conheço de você, desde os tempos em que contestou minhas afirmações lá no seu saudoso Blog "Mensário de Júpiter", você já demonstrou a típica "paixão de fã" pelo Ney Matogrosso. O fato em si de eu ousar questionar as conclusões dele foram vistas por você como uma afronta.

Você não tem NADA de novo para me ensinar sobre Secos e Molhados e seus próprios argumentos não se sustentam. Esse blog que você me indicou, por exemplo, é meu velho conhecido. Foi de lá que tirei a foto dos Secos e Molhados do Museu do Som, embora eu tenha a revista aqui em algum lugar. "Visual excêntrico" é uma coisa, a MAQUIAGEM que eles usaram é outra coisa bem diferente. Se você prestar atenção nas fotos que aparecem no blog do "Apólogo", verá que o disco já tinha sido lançado quando saiu aquela matéria das maquiagens coloridas. Aliás, o próprio dono do blog já veio aqui e postou o seguinte comentário:

"Muito bom, Emilio! Jogou uma pá de cal no assunto, e não há mais o que contestar! Parabéns!"

Pode olhar mais acima, que você vai achar a mensagem.

Você jamais vai me dar razão porque você é o que eu chamo de "fã torcedor" do Ney Matogrosso. Você já levou para o lado pessoal tudo o que eu escrevi e continua levando. Os argumentos estão aí, cristalinos, datas, fotos, matérias de jornais, tudo. Mas por "amor ao Ney Matogrosso", você jamais vai dar o braço a torcer.

8:49 PM  
Anonymous SPIN na Rede - Clique aqui para visitar meu novo blog said...

Caro Emílio, queres porque queres que eu acredite em versão que não dizem respeito aos fatos.

São tantas as provas e testemunhas, tantas as imagens que indicam a primazia dos S & M sobre o Kiss, que não posso ficar calado diante das suas colocações.

O meu posicionamento não decorre do fato de ser fã dos S & M e Ney Matogrosso, aliás, você também o é.

Aliás, eu até poderia acatar a seu ponto de vista e acreditar que se trata de coincidência ou sincronicidade, o que é comum acontecer no campo da criação. O problema é que as coincidências são tantas que não posso, jamais, concordar com você.

Ah, que bom que você fez-me lembrar do blog Mensário de Júpiter, eu havia esquecido, obrigado pela lembrança. Mensário pq decorre no espaço de um mês, só que não deste calendário comum, superfical, e sim num calendário próprio, mas não é assunto prá esta postagem, um grande abraço,

11:01 AM  
Blogger Emilio Pacheco said...

Sim, sou fã dos Secos e Molhados desde 1973. Em dezembro daquele ano, vi um show do grupo em Porto Alegre, no Gigantinho.

11:19 AM  
Anonymous SPIN na Rede said...

Não são apenas questionamentos do Ney como também de Marcelo Frias, Gerson Conrad, Zé Rodrix, Guilherme Jabour, reportagens da época etc. Será que está todo mundo errado. Não por amor ao Ney mas por amor à verdade dos fatos, às fontes. Claro que não vou conseguir fazê-lo mudar de idéia, isso é recíproco, até que vc me prove o contrário:

"(...)
por Texto Sérgio Barbo, na Superinteressante

Máscara


A maquiagem pesada, que se tornaria uma marca registrada da banda, surgiu logo no primeiro show, por obra do acaso. “O Ney, que interpretava um marinheiro na peça A Viagem, no próprio Ruth Escobar, chegou atrasado para o show usando a maquiagem do espetáculo”, lembra Gerson Conrad. “Luli, inspirada por uma peça em cartaz no Rio ( Jardim das Borboletas), gostou e complementou com purpurina. Dez minutos antes de entrar, todos assumimos a maquiagem.” Não foi à toa que o produtor da tal peça carioca, Paulinho Mendonça, tornou-se um colaborador da banda, assinando o hit “Sangue Latino”.


O impacto na platéia foi instantâneo. O corpo desnudo, os trejeitos e a voz de contratenor de Ney, o aparato visual e a música, simples, porém sofisticada, causaram efeito arrasador nos presentes e a banda foi aplaudida de pé. Um dos espectadores, o jornalista e produtor Moracy do Val, registrou suas impressões sobre o show num artigo no Jornal da Tarde, o que reverteu em ainda mais público.


Impressionados também ficaram os excelentes músicos que acompanhavam Ney em A Viagem – o baixista Willie Verdaguer, o baterista Marcelo Frias (ambos ex-Beat Boys) e o guitarrista John Flavin –, que logo seriam convidados para ingressar no time (completado mais tarde pelo tecladista Emilio Carrera). Os shows no Ruth Escobar foram um êxito e se estenderam por mais uma temporada. Visionário, Moracy se tornou empresário do grupo. Tudo parecia se encaixar e o primeiro passo para o Secos & Molhados conquistar o Brasil estava dado.


O grupo já era um sucesso underground em São Paulo quando Moracy conseguiu um contrato com a gravadora Continental, em maio de 1973. Secos & Molhados, o disco, foi gravado em apenas 15 dias, em quatro canais, com produção e arranjos realizados pelos próprios músicos, cruzando pós-tropicalismo, rock progressivo, folk e fado. Tratando de temas sociais, as letras, muitas vezes, poemas musicados de escritores como Vinicius de Moraes e Manuel Bandeira, ficavam a cargo de João Ricardo e de alguns parceiros, entre eles, seu pai, João Apolinário.


Curiosamente, a capa, com a foto clássica das cabeças sobre a mesa, apresentava Marcelo Frias como um quarto elemento. “Convidamos os músicos para se tornarem membros oficiais do grupo, mas só o Marcelo aceitou. Depois, receoso, ele preferiu seguir como músico contratado, mas a foto já havia sido feita”, explica Conrad.


O show da vida


Em 9 de setembro de 1973, pouco mais de um mês após lançado o LP, o grupo é destaque em uma das primeiras edições do programa Fantástico, da Rede Globo. Com enorme apelo visual e transmissão nacional em cores, o impacto foi monstruoso. “O Vira”, com seu ritmo alegre e letra calcada no folclore brasileiro, causou sensação entre as crianças. Na seqüência, vieram hits mais adultos, como “Sangue Latino” ou a pungente “Rosa de Hiroshima”. Sem nenhum single para promover o álbum, foram vendidas 50 mil cópias em apenas um mês.(...)"

Segue link para o artigo na íntegra

http://super.abril.com.br/cultura/secos-molhados-solta-pavoes-445238.shtml

11:32 AM  
Blogger Luciana Rosa said...

pronto! minha filha de 11 anos elucidou a questão: ela disse: é óbvio que o americano copiou o brasieiro, pois ele copiou e "aperfeiçoou"! Se o S&M tivesse copiado, ele teria feito algo do mesmo nível ou melhor! Assim, por uma questão lógica, na visão DELA, a maquiagem do SM, sendo mais tosca é a original. Gente, achei muito engraçado, como criança vê o mundo de maneira simples né? Só pela piada mesmo...

3:06 PM  
Anonymous Anônimo said...

No início dos anos 70, antes do Kiss ou do S&M, o Peter Gabriel, à frente do Genesis, também se apresentava com o rosto todo pintado (mas com pinturas diferentes a cada show). É só olhar em videos da época como os das músicas Watcher of the Skies, Musical Box, etc.

5:19 PM  
Blogger Emilio Pacheco said...

A primeira vez que ouvi falar no Genesis foi num programa de televisão em que o apresentador os comparou aos Secos e Molhados. Disse que Peter Gabriel fazia no palco mais ou menos o mesmo que Ney Matogrosso. Na primeira turnê italiana do Genesis, quem abriu para eles foi o Osanna. Quem sabe, aí sim, o grupo italiano não pode ter inspirado Peter Gabriel?

7:16 PM  
Anonymous Anônimo said...

Só o que eu quis dizer com o meu comentário sobre o Genesis é que eu acho que, se o Kiss tivesse se inspirado em alguém (ou imitado, como querem alguns), muito provavelmente seria numa banda da Inglaterra, pelo simples fato de eles cantarem em inglês. Uma banda brasileira ou italiana não chegaria até o conhecimento de alguém nos EUA por causa da barreira da língua, além do mercado lá ser voltado de forma quase esquizofrênica para o que é produzido por eles mesmos (as invasões inglesas que volta e meia acontecem desde os anos 60 são as exceções que confirmam o meu argumento acima).
A minha opinião na verdade é a de que Kiss, Secos & Molhados e Osanna tiveram todos a mesma ideia, ao mesmo tempo, ninguém 'imitou' ninguém.
Agora, quanto ao Peter Gabriel ter se inspirado na tal banda italiana, acho até possível. Sei que no início do Genesis, eles fizeram várias excursões à Itália, um dos poucos lugares onde eles tinham público fora da Inglaterra. Mas como eu não sei quando ele começou com isso de pintar o rosto, então não vou opinar sobre isso. Sei que a perfomance que ele fazia ia além disso, ele também usava máscaras e outros adereços, numa interpretação muito teatral.

11:37 AM  
Blogger Emilio Pacheco said...

Também acho que ninguém copiou ninguém. Todos se inspiraram na maquiagem da mímica e do teatro kabuki. E com certeza os americanos não tomariam conhecimento de nada que viesse do exterior exceto da Inglaterra, mas já fui chamado até de ingênuo por dizer o óbvio: que seria praticamente impossível os Secos e Molhados fazerem um show aqui no Brasil em 1973 e os americanos tomarem conhecimento disso lá em Nova York.

Enfim, para quem conhece bem a história das DUAS bandas, fica evidente que ninguém copiou ninguém.

8:23 PM  
Blogger Emilio Pacheco said...

Outra comparação inadequada que as pessoas às vezes fazem é com a controvérsia Santos Dumont x Irmãos Wright. Não dá pra comparar as duas coisas porque, no caso de Santos Dumont, a história dele é bem conhecida por estudiosos e entusiastas da aviação do mundo inteiro, inclusive dos Estados Unidos. Ele é amplamente reconhecido como o inventor do primeiro aeroplano capaz de decolar por seus próprios meios. Existem livros em inglês escritos sobre ele. Os fatos são bem conhecidos e incontestados. Só existe a discussão conceitual sobre se os feitos dele, nas datas e da forma como aconteceram, o qualificam como o legítimo "Pai da Aviação". Já a polêmica Secos e Molhados x Kiss se baseia em suposições totalmente furadas que ninguém, aparentemente, tinha se preocupado em investigar.

5:32 AM  
Anonymous Anônimo said...

Parabéns Emílio,

Sou jornalista também e fiquei orgulhoso do trabalho que você apresenta neste artigo.

Há muito tempo não via tanta pesquisa e profundidade numa matéria sobre música pop.

abração,
Carlos

9:55 AM  
Anonymous Anônimo said...

agora eu posso durmir em paz

2:45 AM  
Blogger Emilio Pacheco said...

Ainda não, Anônimo. Primeiro você precisa aprender a escrever corretamente. Depois, sim, você pode DORMIR em paz!

8:15 PM  
Anonymous Anônimo said...

Apesar de odiar o Kiss ( acho uma banda falsa e ridícula, como eles mesmos já provaram em entrevistas ), tenho que admitir que é praticamente impossível o Kiss ter visto Secos e Molhados ( uma banda incrível ! ) e copiado...
Parabéns pela pesquisa.

1:14 PM  
Blogger Emilio Pacheco said...

Esse é o ponto, Anônimo: o objetivo desse texto não é "defender" o Kiss, mas esclarecer um mal-entendido que virou lenda. E aí não importa se a banda é boa ou não, se gosta ou não, se é brasileira, estrangeira... Inclusive isso em nada diminui a importância dos Secos e Molhados. Está saindo o livro "1973, O Ano que Reinventou a MPB" e eu tive a honra de participar escrevendo justamente sobre o primeiro LP dos Secos.

3:32 PM  
Blogger Dario Farias said...

no fim de 1972 eu fui a uma apresentaçao dos secos e mplhados e todos estavam totalmente maquiado, foi em copacabana , aho que foi no teatro tereza rachel , mas foi em 1972, com certeza, estavam com maquiagem pesada, tanto que parte do publico os chamavam de bichas, somente os mal educados o restante os aplaudia, espero ter contribuido,eu estava la, fui testemunha, qto a copiar isto ja e outra historia, acredito mesmo em coincidencia, mas em 1972 o secos e molhados se apresntavam no rio de janeiro toalmnte maquiados

9:33 AM  
Blogger Emilio Pacheco said...

Todos maquiados? O João e o Gérson também? Deve ter sido em dezembro de 1972, que foi quando eles fizeram o primeiro show com o Ney.

12:27 PM  
Blogger Emilio Pacheco said...

Um dia desses eu encontrei uma foto dos Secos e Molhados em que só o Ney estava maquiado, mas já era, basicamente, a maquiagem que ele usaria no auge do grupo. Vou ter que procurar de novo e tentar saber a data.

12:35 PM  
Anonymous Anônimo said...

O Kiss copiou os Secos e Molhados sim! Quanto a isso não tem discussão. Ney falou tá falado e ponto final!

3:27 AM  
Blogger Emilio Pacheco said...

Claro, se o Ney falou, é verdade! Ele sabe tudo sobre o Kiss e é incapaz de cometer um equívoco! Os empresários que falaram com ele no México embarcaram numa máquina do tempo, viajaram para o passado e criaram o Kiss!

7:31 AM  
Blogger O Resto de Mim said...

Só uma constatação: a quem diz que é impossível que os secos e molhados chegassem a nyc ou ao ouvido de bandas americanas por serem brasileiros... mutantes e outras bandas da época tocaram fora do país e levaram o nome do brasil ao mundo nos anos 70, causando grande interesse dos gringos pela nossa musica, naquela decada. Ps: texto muito bom.

3:10 PM  
Blogger Emilio Pacheco said...

Na era do CD, antes tarde do que nunca, colecionadores do mundo inteiro descobriram os Mutantes. Pode ser que isso aconteça um dia com os Secos e Molhados. O que eu afirmo ser praticamente impossível é os Secos e Molhados estrearem em São Paulo e em questão de dias todos estarem sabendo deles em Nova York. Existem passos a percorrer até que uma banda brasileira se faça notar nos Estados Unidos. Os Secos e Molhados estavam nesse caminho, mas infelizmente tiveram um fim amargo apenas um ano depois do lançamento do primeiro LP. O grupo voltou em 1978 com outra formação, mas aí não havia mais como resgatar aquele impulso de 73/74.

3:17 PM  
Blogger Emilio Pacheco said...

Dario Farias, realmente os Secos e Molhados da formação clássica já fizeram sua estreia com maquiagem, embora não ainda as máscaras tradicionais que usariam a partir de 1973. Gérson Conrad explica como foi neste vídeo:

http://www.youtube.com/watch?v=5QVcnhnUCrE

8:47 PM  
Blogger Emilio Pacheco said...

Por mais que eu tente explicar, tem gente que não entende. Então vou repetir: o objetivo desse texto não é "DEFENDER" ninguém! Nem provar que um é melhor ou pior do que o outro! Sou fã das duas bandas e, mesmo que não fosse, isso não teria relevância nenhuma para o que está sendo explicado! Comentários de fãs do Kiss "comemorando" as conclusões do texto não serão publicados! Ainda mais se vierem acompanhados de desdém aos Secos e Molhados! Quem escreve esse tipo de comentário não entendeu NADA.

7:24 PM  
Anonymous fabio moyses said...

Cale-se. Você não sabe ler.

8:45 AM  
Blogger Emilio Pacheco said...

Na minha página de administração dos comentários eu consigo ver que a mensagem do Fábio Moysés acima foi em resposta a outro comentário específico, mas aqui não aparece. E nem sei como ele fez para vincular o comentário dele a outro.

10:15 PM  
Blogger André Pessoa said...

Emílio, não estão aparecendo as datas dos comentários. Deve ser uma configuração simples no Blogger.

2:42 PM  
Blogger Emilio Pacheco said...

Já tinha observado, André Pessoa. Cada vez tenho mais receio de mexer nas configurações da página, mas depois vou dar uma conferida.

5:54 PM  
Anonymous Rafael said...

É preciso lembrar que o Kiss no início de carreira era um bando de duros, fudidos de grana.
O fato deles terem um "empresário" (sim, entre aspas) não quer dizer que tinham condições. Era só alguém que ajudava a arrumar shows e caçar um contrato com uma boa gravadora.
Aquele maluco falar que o Paul e Gene vieram comer uma feijoada é pra curtir com a cara dos fãs do Secos, só pode.

1:17 AM  
Blogger Emilio Pacheco said...

Foi o Zé Rodrix que falou isso. Ele realmente acreditava que tivessem sido Gene e Paul que estiveram na casa dele. Quem defende essa hipótese não conhece a história do Kiss.

2:47 AM  
Blogger Prof. Cesar Ferraz da Costa said...

Quanto à maquiagem do Secos e Molhados, os depoimentos, inclusive do Ney, são tidos como boatos, causos, inconsistentes e afirmações sem provas, totalmente questionáveis. E os fatos concernentes ao Kiss? Provas Cabais! Incontestes! Pelo amor...

11:32 AM  
Blogger Emilio Pacheco said...

Professor César, apesar de sua indignada ironia, há um bom motivo pelo qual tudo o que você afirmou é verdade: Ney está falando do que ele não conhece, ou seja, a história do Kiss. Ele afirma, por exemplo, que o Kiss surgiu "depois" da viagem dos Secos ao México. E ele está errado. Se for para falar da história do Kiss, é óbvio que os protagonistas são as pessoas certas para dar as informações. O Ney que fale da história dos Secos e Molhados. Essa, com certeza, ele tem autoridade para contar.

12:56 PM  
Blogger Emilio Pacheco said...

O Professor César não é o primeiro a reclamar que os argumentos de um lado estão sendo apresentados como tendo mais credibilidade do que o outro. Mas isso é perfeitamente normal dentro do contexto. Se eu quero demonstrar que Ney Matogrosso e Zé Rodrix (in memoriam) estão equivocados, é óbvio que tenho que contrapor argumentos sólidos, cabais, incontestes, e não "achologias" do mesmo nível. Além disso, é bom frisar que não estou duvidando da palavra deles NO QUE PODEM AFIRMAR. Ney foi abordado por dois empresários americanos no México - correto. Se ele diz, é porque aconteceu mesmo. Inclusive os demais que estavam no grupo foram testemunhas. Lennie Dale levou dois americanos para comer uma feijoada na casa de Zé Rodrix - perfeito. Inclusive a esposa dele na época, a futura Frenética Edir, estava junto e é testemunha viva desse fato. O Kiss é que não teve nada a ver com nenhuma das duas passagens. Para demonstrar isso, é óbvio que tenho que apresentar "provas cabais e incontestes".

5:26 PM  
Blogger Valdirene Mendes said...

Gostei da pesquisa e vou usar como referência. Porém está nas entrelinhas sim sua defesa à banda Kiss.Eu era criança na época e acompanhava a febre Secos & Molhados... É muito possível sim que a banda norte-americana tenha se inspirado não só no grupo brasileiro, mas em outras bandas. A arte é assim. E cada um foi pioneiro à sua maneira.Enveredando para outra polêmica, lembra dos irmãos Wright X Santos Dumont? Só na França reconhecem o inventor tupiniquim, já que o vôo foi registrado em película em Paris. Mesmo assim prevalece a teoria norte-americana que sequer registros têm.
Nesse caso não há coincidências.

4:58 PM  
Blogger Valdirene Mendes said...

Ah, e sobre a foto do show de 15 de abril de 1973... Está muito desfocada para se afirmar que esse ou aquele estão de cara limpa. Existe uma foto de camarim. E João Ricardo não está de cara limpa. Observe os olhos. É muita olheira para uma foto. É maquiagem.

5:05 PM  
Blogger Emilio Pacheco said...

Não dá pra comparar a polêmica Secos e Molhados X Kiss com Santos Dumont X Irmãos Wright. Não existem dúvidas sobre os fatos no segundo caso. Estudiosos e entusiastas da aviação do mundo inteiro, inclusive dos Estados Unidos, sabem dos feitos de Alberto Santos Dumont e o reconhecem como inventor do primeiro aeroplano capaz de decolar por seus próprios meios. Existe inclusive um documentário sobre Santos Dumont feito na Inglaterra. Procure no YouTube. A controvérsia, no caso, é saber se as realizações do brasileiro o qualificam como verdadeiro Pai da Aviação. Pelo que sei, nem na França ele é reconhecido. Os franceses têm o seu próprio Pai da Aviação, no caso, Clement Adler. Já essa história de que o Kiss se inspirou nos Secos e Molhados é cheia de lendas e inverdades. Nâo por má fé, mas por desconhecimento. Sempre que o Ney Matogrosso fala do Kiss, por exemplo, está falando do que não conhece. E quanto à maquiagem, é CLARO que TODOS os artistas se maquiam antes de entrar no palco. Refiro-me à maquiagem tipo máscara, que cobre todo o rosto.

9:11 AM  
Blogger Emilio Pacheco said...

Corrigindo: Clement Ader. E agora vi que já tinha citado Santos Dumont mais acima, nos comentários.

11:21 AM  

Postar um comentário

Links to this post:

Criar um link

<< Home