domingo, maio 28, 2017

Renaissance em Porto Alegre: belo rock progressivo

O Renaissance é um raro grupo de rock progressivo com vocal solo feminino, o que acabou servindo de modelo para a banda brasileira Bacamarte, com a cantora Jane Duboc. Entre muitas idas e vindas e mudanças de integrantes, é justamente a vocalista inglesa Annie Haslam a única remanescente da formação clássica do Renaissance dos anos 70. Informações desencontradas na Internet indicam que ela fará 70 ou 73 anos no dia 8 de junho.
O show no Teatro do Bourbon Country, ontem à noite, teve inicio às 21 e 15 e durou duas horas. Os instrumentistas entaram primeiro e começaram a tocar "Prologue". Em seguida veio Annie, abrindo um rápido sorriso, logo substituído por uma expressão séria. Ela custou um pouco a se descontrair, embora se mostrasse simpática no papo entre as músicas. A setentona ou quase ainda alcança os agudos de sempre, agora se assemelhando a uma intérprete de canto lírico.
O repertório foi equilibrado. Não faltaram as clássicas, como "Carpet of the Sun", a linda "Let it Grow", "Ocean Gipsy", "Sounds of the Sea" "A Song for All Seasons" e, para encerrar, "Ashes are Burning". Do último CD do conjunto, Symphony of Light, de 2014, ouviram-se "Grandine il Vento", "The Mystic and the Muse" e a faixa título. Uma surpresa foi "Quiet Nights of Quiet Stars", a versão em inglês de "Corcovado", que Annie disse ser sua canção brasileira preferida. Outra de Tom Jobim que se ouviu meio de improviso foi "A Felicidade", solada no baixo durante "Ashes are Burning". A plateia reconheceu e aplaudiu.
Apesar da cara fechada a maior parte do tempo, Annie mostrou-se receptiva ao decepcionante (muitas cadeiras vazias) mas entusiasmado público do teatro. Uma fã gritou: "tá linda!", e a cantora repetiu, mesmo sem entender: "Tá linda?" Quando um sujeito levantou-se para sair, Annie soltou o tradicional: "was it something I said?" (foi alguma coisa que eu disse?), mas ele voltou alguns minutos depois. Em certo momento ela anunciou uma música de "mil novecentos e setenta e..." e eu arrisquei da primeira fila: "quatro". Tudo em inglês, claro. Aí ela concluiu dizendo "1978", mas ficou perguntando para os músicos: "Quem disse quatro?" Eu me acusei e, quando ela finalmente entendeu, respondeu: "Você está errado."
Para quem gosta de bom rock progressivo, foi um show perfeito. Na linha de frente, o violonista e guitarrista Mark Lambert fazia a segunda voz, ocasionalmente complementado pelo vocal do baixista Leo Traversa. Um detalhe que nem todos da plateia notaram é que, no instante em que viria o "fim falso" seguido pelo bis programado, Annie falou para os músicos: "Vamos ficar no palco." E emendaram direto as duas últimas músicas. Com isso, após a despedida da banda, alguns fãs ficaram pedindo "mais um" insistentemente em inglês, mas não levaram. Na saída, para minha alegria, encontrei um balcão onde estava sendo vendido o CD  Symphony of Light. Comprei na hora.
Logo abaixo, um "compacto" do show, com um trechinho de cada música. Se os links de cada mês do Blog estiverem por cima, cliquem na opção de assistir na página do YouTube. E, se quiserem, coloquem em tela cheia.

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